Björk
Experimental/Electronic/Female Vocalists
http://bjork.com/
Por: Cleber Facchi

Aos que acompanhavam a obra de Björk há bastante tempo, provavelmente a estrutura musical não linear das obras da cantora talvez já fosse algo facilmente assimilável e natural aos ouvidos mais experientes e atentos. Desde o primórdio como artista, a musicista vem saltando entre gêneros, formas e temáticas sonoras como quem troca de roupa, algo facilmente observável entre a substituição do punk-gótico ao lado do KUKL (a primeira banda da islandesa no começo dos anos 80) para o rock alternativo e esquizofrênico proposto pelo The Sugarcubes, tudo isso antes de adentrar definitivamente a carreira solo em idos da década de 1990.
Contudo, talvez a mudança já não fosse um elemento tão necessário quando a artista alcançou o auge de sua carreira entre 1995 e 1997, período em que lançou duas das maiores obras musicais daquela década e consequentemente os maiores pilares de toda a discografia por ela edificada: Post e Homogenic. Cruzando a sonoridade eletrônica com o erudito e acrescentando uma dose natural (e necessária) de elementos da música pop, a artista e o concentrado de faixas como Jóga, All Is Full Of Love e Army Of Me estabeleceriam novo significado à música alternativa e comercial naquele momento, possibilidades que ainda não haviam se encerrado naquele momento.
Longe da grandiosidade pulsante e estrondosa que caracteriza todo o registro de 97 – que entre outros elementos realça a aproximação de Björk com a ópera e a música de vanguarda do pós-guerra -, em agosto de 2001 ela voltaria com uma nova obra, Vespertine, um álbum menos focado na intensidade dos versos e das batidas e muito mais orientado à calmaria. Marcado por um forte tom místico e suavizado, o registro aproxima a islandesa de um plano essencialmente etéreo, elemento que caracterizaria boa parte dos futuros lançamentos da cantora (com exceção óbvia do álbum Volta, de 2007) e mais uma vez reformularia a carreira da artista.
Perceptivelmente próxima do Radiohead pós-Kid A (Amnesiac havia acabado de ser lançado), algo bem perceptível na maneira como as programações eletrônicas com um pé na IDM são representadas ao longo do disco, a cantora faz com que todo o registro se oriente como um enorme bloco único de sons e ruídos. Se um ano antes Thom Yorke havia transformado a própria voz e um mecanismo para a execução do trabalho, o mesmo faz Björk, que acaba desenvolvendo os vocais de maneira não convencional, inserindo seus vocais dulcíssimos como um objeto de complemento e não um mecanismo à frente dos demais elementos que flutuam por entre as faixas.
Mesmo distante dos dois álbuns anteriores da musicista, Vespertine parece se relacionar intencionalmente com as propostas dos registros, é como se o álbum fosse uma espécie de versão menos acelerada e magnânima do que a cantora propõe ao longo de Homogenic. O aspecto diminuto do projeto, entretanto, não impede que o disco evidencie um conjunto satisfatório de composições melodiosas e fáceis, constatação que se revela tanto na faixa de encerramento, Unision, como nos singles Hidden Places, Cocoon e principalmente It’s Not Up to You, faixa que mescla a compositora de outrora (na maneira firma dos vocais) com a nova artista (imersa em batidas sintéticas e minimalistas).
Em diversos momentos da obra torna-se perceptível o caráter de respiro do disco, como se o álbum fosse uma espécie de descanso criativo da artista, um alívio intelectual que se converte em composições leves, flutuantes, porém, tão abastadas quanto antigas criações da musicista. Como o cisne que sobrepõem a imagem de Björk na capa do disco, Vespertine parece suavemente abrir as asas e alçar voo, carregando no flutuar leve e no bater suave das asas toda a riqueza e a magia instrumental, vocal, e lírica que acompanha a musicista.
Vespertine (2001, One Little Indian)
Nota: 8.5
Para quem gosta de: Kate Bush, Goldfrapp e Fever Ray
Ouça: It’s Not Up To You, Frosti e Cocoon

[...] Inverno deveria ser quase um sinônimo para Vespertine, seria estranho pensar que o álbum foi gravado em outras estações do ano devido ao fato de ter ficado do jeito que ficou. Em seu quinto registro em estúdio, a islandêsa Björk criou um verdadeiro amalgama gelado de camadas eletrônicas, letras introspectivas e pontuais cortinas de silencio. Atmosférico e cinzento como um inverno, Vespertine apresenta um minimalismo sonoro estranhamente aconchegante. Trilha ideal para observar a cidade de dentro de uma janela ou para caminhar durante a tarde em alguma paisagem com neve (como sugerem os barulhos de natureza sampleados em Aurora) há diversos sons incomuns como caixinhas de musica e ruídos como o gelo rachando em Frosti que só aumentam o clima frio, introspectivo e incomodo do trabalho. Nunca a voz de Bjork havia soado tão próxima e frágil ate então e os sons de respiração e suspiros presentes em alguns momentos deixam a impressão de uma quase tentativa de se preservar em meio ao frio cortante que há do lado de fora do vidro da sala de gravação. (Resenha) [...]
[...] com o trabalho da islandesa Björk. Porém, enquanto Holter se deixa absorver pelo clima etéreo de Vespertine e Medúlla, Halo parece interessada no toque sintético de obras como Post e Homogenic, algo bem [...]
[...] com o trabalho da islandesa Björk. Porém, enquanto Holter se deixa absorver pelo clima etéreo de Vespertine e Medúlla, Halo parece interessada no toque sintético de obras como Post e Homogenic, algo bem [...]
[...] vozes e parcos ruídos eletrônicos, o disco assume o mesmo eixo etéreo iniciado pela islandesa em Vespertine, convertendo a música pop em épicos existencialistas. Matéria-prima de todo o trabalho, Halo usa [...]
[...] vozes e parcos ruídos eletrônicos, o disco assume o mesmo eixo etéreo iniciado pela islandesa em Vespertine, convertendo a música pop em épicos existencialistas. Matéria-prima de todo o trabalho, Halo usa [...]
[...] e preferências sonoras que inevitavelmente se aproximam do trabalho de Björk entre os discos Vespertine (2001) e Medúlla (2004). Experiência isolada, a mesma temática vocal só se repete em Try, [...]
[…] ser Björk, PJ Harvey ou qualquer outra compositora que deu voz aos sentimentos mais honestos do universo […]
Amo esse disco de paixão, Pagan Poetry e Aurora são lindas canções…
8.5? Só? esse disco é 10! 9.5 no mínimo…até no metacritic tá com 8.8 hahaha