Cloud Nothings
Indie Rock/Noise Pop/Alternative Rock
http://www.facebook.com/cloudnothings
Por: Ceber Facchi

Embora existam divergências quanto ao tempo certo que se estende a adolescência, sabe-se que essa fase fica dividida entre o fim da infância e o aflorar da maturidade, servindo como uma espécie de “preparação” para adentrarmos a vida adulta. Independente dos limites temporais estabelecidos, esse período varia para cada indivíduo, carecendo de um tempo maior para alguns, enquanto para outros tal período pode avançar em velocidade assombrosa. Musicalmente a adolescência do Cloud Nothings se extinguiu em tempo ainda mais acelerado.
Quando há um ano o primeiro registro oficial da banda comandada por Dylan Baldi começou a circular com relativo destaque pela blogosfera – presenteando de maneira justa aqueles que acompanhavam o músico através dos pequenos, porém ricos EPs e singles caseiros –, havia na sonoridade proposta pelo americano e seus irregulares parceiros um teor despretensioso, intenso e raivoso – algo típico dos adolescentes. Entre letras que falavam de amor, crescer e tantos outros temas próprios da idade do jovem de Cleveland, Ohio (na época com 18 anos), um cheiro forte de juventude impregnava cada canto do registro, transformando o artista em um pequeno destaque em terra de gigantes.
Contra todas as expectativas que pudessem envaidecer o jovem músico mediante o destaque conquistado ao longo dos últimos meses, Baldi reaparece agora com um novo e audacioso disco, Attack On Memory (2012, Carpark). Em pouco mais de meia hora, o cantor possibilita o nascimento de um álbum que rompe (quase) totalmente com a adolescência natural do registro anterior, encaminhando o norte-americano para um novo posto, não mais como um pequeno artista iniciante, mas agora um compositor maior, capaz de conversar com os gigantes de outrora que o cercavam.
Se antes Baldi queria ser uma versão nova de Robert Pollard (ou talvez em menor escala um Billie Joe Armstrong longe das afetações naturais do atual Green Day), hoje ele quer ser Kurt Cobain. Por mais que a poesia de Dylan ainda esteja muito longe de alcançar a mesma genialidade raivosa e amargurada do eterno líder do Nirvana, em se tratando da sonoridade que o acompanha (e até da maneira como o músico entoa seus vocais), é possível observarmos alguns traços bem marcantes que o conectam diretamente ao memorável Bleach, pendendo em alguns momentos para um provável encontro com o clássico Nevermind.
Basta um passeio pelas mudanças constantes de ritmos das duas primeiras composições do disco – No Future/No Past e Wasted Days – com seus acordes oscilantes para traçar uma visível conexão com a constante mutabilidade que circundava o grupo de Seattle. Talvez seja possível ir ainda mais além, observando nas linhas de baixo carregadas por leves distorções prováveis aproximações com o Pixies (uma das grandes influências de Cobain), principalmente da fase Doolittle, algo que músicas como No Sentiment e Cut You, mais ao final do álbum acabam estabelecendo. Independente das influências que acompanham o Baldi atual não há como negar: nada parece se assemelhar ao artista que até pouco tempo despejava os versos rasgados de Understand At All ou Forget You All The Time.
Mesmo que algumas faixas como Fall In e Stay Useless (a mais curta do disco) ainda sejam capazes de aproximar o músico do retrato pop-punk de outrora, cruzando versos pegajosos com uma instrumentação acelerada e crescente, pouco se relaciona com o que fora vital para o jovem músico em um passado ainda recente. O Cloud Nothings de hoje é dinâmico, ainda jovial, porém se encaminhando para uma maturidade (não forçada) que o enquadra como um dos grandes grupos dessa geração. Hoje Dylan Baldi é um adulto compositor e quem não for capaz de perceber isso talvez ainda esteja vivendo sua própria adolescência.
Attack On Memory (2012, Carpark)
Nota: 8.8
Para quem gosta de: Smith Westerns, Beach Fossils e Male Bonding
Ouça: Wasted Days, Fall In e No Sentiment

Gostei muito. Obrigado por compartilhar.
PS. O link está quebrado
Arrumei já
Muitíssimo obrigado!
Wasted Days me conquistou com toda a força que uma boa música pode ter. Meu estômago embrulhou e meu crânio rachou de tão &*%$#@&*&$
Esse album está sendo uma surpresa. Muito bom mesmo !
[...] um dos grandes lançamentos musicais de 2012 – se não o melhor disco apresentado até agora -, Attack On Memory segundo álbum do Cloud Nothings acaba de ganhar um formidável e desconcertante clipe. Dirigido [...]
[...] que com o lançamento de Attack on Memory no começo deste ano o lado punk e adolescente do Cloud Nothings tenha ficado para trás – ou [...]
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[...] Ouvintes tecnicamente preparados pelas recentes distorções proclamadas por grupos como Yuck, Cloud Nothings e The Pains Of Being Pure At Heart, uma nova frente de bandas que de uma forma ou outra parecem [...]
[...] o lançamento de Open Your Heart do quarteto The Men, Attack On Memory do Cloud Nothing ou mesmo Celebration Rock da dupla canadense Japandroids, aos poucos o ano de 2012 [...]
[...] um ano repleto de lançamentos primorosos que incluem Beach House, Grimes, Cloud Nothing e tantos outros registros que ainda estão por vir, a chegada de Swing Lo Magellan não apenas [...]
[...] o músico deu um salto incrível no decorrer do segundo e mais novo disco de sua carreira, o ótimo Attack On Memory. Lançado no começo do ano, o álbum trouxe uma sequência de boas e sempre enérgicas faixas, [...]
[...] recente. Com um catálogo de referências que ultrapassam os limites de bandas novas como Yuck, Cloud Nothings, Male Bonding e tantas outras que surgiram nos últimos cinco anos, o grupo vai da faixa de [...]
[...] o lançamento de Attack On Memory, o Cloud Nothings passou a incorporar uma postura mais série e firme em relação ao registro de [...]
[...] um contraste gigantesco entre o lançamento de Attack On Memory, segundo álbum do Cloud Nothings e a recente estreia do trio canadense Metz. Enquanto Dylan Baldi [...]
Se tiver como upar o album de novo eu agradeço , link ja foi removido :/
[...] Ainda que a maturidade esteja relacionada ao trabalho de uma variedade de artistas que lançaram segundos ou terceiros discos em 2012, ninguém cresceu tanto em tão pouco tempo quanto Dylan Baldi. Outrora dono de um som minúsculo e invariavelmente ligado ao pop punk da década de 1990, o jovem compositor surpreendeu a todos quando abandonou a proteção do álbum passado para entregar uma das obras mais intensas e sujas do rock alternativo recente: Attack on Memory. Cru, perfumado pelo peso amargo das guitarras e trabalhado em cima de letras com conteúdo adulto marcante, Baldi (agora com pelos no rosto) lixa cada espaço do disco sem que qualquer ranhura se torne aparente. Dos pianos soturnos que lavam a inaugural No Future/No Past aos instantes velozes que reaproximam o músico do trabalho passado (como em Stay Useless), nenhum artista conseguiu igualar a mesma ferocidade em 2012 – nem mesmo Japandroids. Épico em Wasted Days, efêmero em Fall In, cada faixa no decorrer do disco faz de Baldi o maior de sua geração. Como gosto de definir: o melhor disco do Nirvana que Kurt Cobain nunca lançou. (Resenha) [...]
[...] experiências sonoras bastante similares – além dos registros acima é possível mencionar Attack On Memory do Cloud Nothing, Open Your Heart do The Men e a estreia do King Tuff -, com o primeiro álbum o [...]
[...] e o peso envolvente das guitarras. Um efeito que cresceu de forma nítida no último ano, quando Cloud Nothings, Japandroids, TY Segall e demais grupos trataram de apresentar alguns dos registros mais [...]