The Strokes
Indie Rock/Alternative/Garage Rock
http://www.thestrokes.com/
Por: Cleber Facchi
Não há como contestar, o tiro que sepultou Kurt Cobain em cinco de abril de 1994 tirou não apenas a vida do último grande ícone do rock alternativo, como soterrou consigo toda a profusão de artistas que haviam apresentado ao mundo a beleza e a fluidez do rock daquele período. Por mais que alguns artistas como Radiohead e Blur tenham dado continuidade a uma série de bons trabalhos – o Brasil também vivia uma fase ótima -, o rock em seu melhor estado lentamente começou a deslanchar, dando lugar a uma profusão de artistas calcados pretensiosamente na música pop ou em uma versão óbvia e pouco relevante do hip-hop.
Com um cenário visivelmente marcado pela carência e uma indústria fonográfica que vivia seus últimos momentos de glória, não seria de se esperar que cedo ou tarde algum artista ocupasse de vez essa lacuna, algo que cinco nova-iorquinos trataram de assumir assim que os primeiros segundos do novo século tiveram início. Revivendo toda a experiência do rock de garagem que inundou Nova York no final dos anos 70 e amarrando tudo com uma sequência de guitarras eletronicamente estilizadas, os Strokes mostraram que embora o cenário musical estivesse infestado de lixo, havia sim algo de bom por trás de toda essa sujeira.
Por mais que o EP The Modern Age desse todas as pistas de que algo novo estava começando a brotar em solo norte-americano, somente com a chegada de Is This It em 30 de julho de 2001 que tanto o público quanto a crítica veriam de fato que algo havia se formado. Entre riffs de guitarra que exaltavam (ou copiavam) a boa fase do Television e letras que mesmo tomadas por uma fluência pós-adolescente passavam longe de um resultado óbvio ou descartável, o quinteto formado por Julian Casablancas, Nick Valensi, Albert Hammond Jr., Nikolai Fraiture e Fabrizio Moretti foi aos poucos delimitando um espaço musical apenas seu.
Nada de sons embromados ou o romantismo clichê que impregnava estações de rádio, programas de TV ou os crescentes players de música, cada um dos 36:28 minutos do trabalho são explorados de maneira direta, urgente e nunca desnecessária. Cantando como se fosse aquele seu último disco, um quase raivoso Julian Casablancas deslancha uma sequência de 11 aceleradas composições, faixas que esbarram nas guitarras bêbadas, porém bem exploradas de atencioso Nick Valensi, tudo isso enquanto a bateria do brasileiro Moretti é aplicada dentro de uma precisão límpida e quase eletrônica.
Se de um lado do trabalho estão as guitarras sujas e a sonoridade crescente de The Modern Age, soando como uma verdadeira ode aos grupos nova-iorquinos pré-new wave, do outro lado está a urgência quase anfetaminada de Hard To Explain, com o grupo mostrando um tipo de medida até então inexistente naquele período, proporcionando um tipo de som que mesmo cru convidava o ouvinte à dança. Feito uma escarrada musical, o registro se extingue tão rapidamente quanto inicia, sendo praticamente impossível absorver toda a consistência do trabalho em uma única audição.
Por mais que o trabalho seja o grande responsável pela avalanche enfadonha de bandas redundantes e tomadas pelo plágio que viriam logo em seguida, o álbum é indubitavelmente um registro essencial, um tipo de disco que cedo ou tarde acabaria surgindo – seja pelas mãos dos Strokes ou através de outro iniciante grupo. Mesmo que o álbum não comporte a mesma tonalidade esquizofrênica de Kid-A ou o clima épico-soturno de Funeral , Is this It é (ainda hoje) o trabalho que mais encaminha ouvintes para dentro de um universo musical que ultrapasse os limites do óbvio, do convencional, do tosco e do pretensioso. Os Strokes acertaram em sua estreia e todos acabaram ganhando com isso.
Is This It (2001, RCA)
Nota: 10.0
Para quem gosta de: Arctic Monkeys, Julian Casablancas e Albert Hammond Jr.
Ouça: o disco todo


PERFEITO, esse disco é perfeito. Quando eu comprei esse cd só conhecia uma música e fui pra casa para ouvir o que mais havia ali… NÃO CONSEGUI DESLIGAR O SOM E OUVI UMAS 5 VEZES SEGUIDAS.
Bem que essa categoria poderia se chamar “GRANDES” Clássicos Modernos ou “INDISPENSÁVEIS” Clássicos Modernos
Isso é uma preciosidade. Eu sei que sou a mais suspeita pra falar no Universo, mas isso é música da melhor qualidade, que vai persistir por gerações e gerações.
O século XXI começou na verdade com três eventos, separados por algumas semanas apenas: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, o atentado às Torres Gêmeas e Is this it. Foi assim que descobrimos como viveríamos os anos seguintes.
Quando ouvi Last Nite pela primeira vez tinha 7 anos, desde então já sabia que teria um bom gosto musical. Hahahaha
[...] de Ty Segall, menos chapado e estranhamente próximo do que fora proposto nos primeiros discos do The Strokes. Sobra espaço para que ecos de The Drums – do álbum Portamento – sejam encontrados pelo [...]
Esse álbum dos Strokes talvez tenha a mesma importância que teve, no Brasil, Ventura, de Los Hermanos, que veio 2 anos mais tarde. Por mais que Ventura fosse despido de apelo comercial (ao contrário de Is this it) e não tenha sido tão difundido em relação ao público, é marcado por uma qualidade até agora não igualada neste século e exerceu um impacto arrasador na nova (boa) música brasileira. E aí? Ventura é também um “pequeno clássico moderno”? Concordem ou não, deixo claro que falei aqui dos dois álbuns pelos quais tenho mais carinho entre todos aqueles que foram criados desde que “aprendi” a ouvir música.
[...] da retomada do Pós-Punk que transformou artistas outrora desconhecidos em gigantes – caso de The Strokes e Interpol -, o cantor e compositor britânico deu formas ao doloroso Antony and the Johnsons, um [...]
[...] a versão original da música – inicialmente registra em 2001, como parte do clássico Is This It. Livre do clima blasé de Julian Casablancas, a canção parece pronta para as pistas, uma ótima [...]
[...] ainda na próxima semana), o novo trabalho parece se dividir entre a herança acumulada do álbum Is This It (2001) e a sonoridade construída ao longo do sintetizado Angles (2011), pelo menos é o que a [...]
[...] For A Fool, incapazes de repetir a uniformidade que apresentou a banda com o clássico inegável Is This It (2001). O quinteto parecia cansado, ou disperso, temporariamente incapaz de [...]
[...] uma composição inédita. Trata-se de Fast Animals, música que flutua entre o rock acelerado de Is This It (2001) e o clima Anos 80 inaugurado em Angles (2011), a canção, um B-Side de All The Time, soa [...]
[...] pouco antes da explosão iniciada por Is This It (2001) do The Strokes, a estreia do The White Stripes passaria despercebida do grande público, que [...]