A$ap Rocky
Hip-Hop/Rap/Alternative
http://www.liveloveasap.com/
Por: Cleber Facchi
Enquanto o mundo parece olhar para o rap irônico que escorre pelo solo californiano em virtude dos gracejos e das polêmicas alavancadas pelo coletivo Odd Future, ainda em território norte-americano, porém, em outros pontos do país borbulham pequenas e também importantes frentes de um novo e bem explorado hip-hop. Se em Seattle é a experimentação e o caráter quase jazzístico do Shabazz Palaces que dita às regras, em Michigan são os versos lisérgicos de Danny Brown que reconfiguram o gênero, deixando para o novato A$ap Rocky o domínio (ou parte dele) sobre a cosmopolita Nova York.
Longe de qualquer associação com um tipo de som demasiado excêntrico, porém, completamente afundado em abusos com substâncias químicas (além de sua total devoção às mulheres), o jovem de 23 anos materializa em sua primeira mixtape o velho espírito do rap nova-iorquino, completando tudo com uma visível dose de inovação e desenvoltura. Aguardado por boa parte da imprensa norte-americana – feito conquistado em virtude de seus shows sempre caóticos e que em diversos momentos colocam os integrantes do OFWGKTA no chinelo -, Rocky faz de seu debut, Live Love A$ap (2011, RCA) uma das grandes e mais marcantes estréias do ano.
Exatos 53:06 minutos, este é o tempo necessário para que o rapper nascido no Harlem, Nova York possa desenvolver um paredão de 16 fundamentais composições. Faixas que escapam do humor negro esbanjado em território californiano e que se voltam para a exposição de um som e uma temática essencialmente realista e dura. Longe das banalizadas exaltações ao ego que definem grande parte dos trabalhos do gênero, o trabalho pinta em tons obscuros uma série de pequenos retratos cotidianos, com A$ap versando sobre o amplo universo que o cerca de maneira totalmente realista.
Para além de temáticas costumeiras do gênero, o jovem rapper aproveita de seu trabalho para transitar por entre diversificadas experiências. Das citações sobre moda e roupas de grife em Peso ao explorar de referências puramente lisérgicas em no hit Purple Swag: Chapter 2 (que muito lembra o que fora anunciado no primeiro trabalho de Tyler, The Creator), o que não falta ao nova-iorquino é conteúdo para seus versos, que embora não mantenham a mesma concisão adquirida por veteranos do gênero se organiza de forma segura e passa livre de cometer possíveis erros.
Mesmo que seja o próprio A$op responsável pela boa exposição do trabalho – que deve garantir ao longo dos próximos meses amplo destaque ao rapper por toda a blogosfera -, parte significante do que garante fôlego ao registro vem da produção cuidadosa e sempre coerente do produtor Clams Casino. Figura cada vez mais disputada no sempre mutável e badalado hip-hop norte-americano, Casino (um pseudônimo de Mike Volpe) segura firmemente as rédeas de cinco composições presentes no álbum, sendo ele o responsável por construir as bases dos principais hits que abrem e fecham o registro.
Explorado dentro de uma atmosfera sombria – que se reflete tanto nos versos como na sonoridade que abrange o álbum –, Live Love A$ap mantém em sua totalidade uma profunda divisão. Por mais que o registro represente a exposição de um som puramente centrado nas bases do hip-hop underground, muitas das canções que solidificam o álbum o arremessam diretamente para os holofotes do mainstream, fazendo com que o rapper passeie constantemente pelas “trevas” do cenário alternativo, como pela “luz” da grande mídia.
Live Love A$ap (2011, RCA)
Nota: 8.0
Para quem gosta de: Tyler, The Creator, Danny Brown e Clams Casino
Ouça: Houston Old Head e Bass


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