Toro Y Moi
Electronic/Chillwave/Indie
http://www.myspace.com/toroymoi
Por: Cleber Facchi
Mesmo antes ao lançamento de Underneath The Pine, Chazwick Bundick deixava claro que os rumos a serem desenvolvidos através do Toro Y Moi seriam completamente outros em comparação ao que fora experimentado um ano antes por meio do quase etéreo Causers Of This. Longe das batidas instáveis, reverberações lânguidas e vocais picotados que inundavam seu álbum de estreia ou mesmo todos seus singles anteriores, o produtor norte-americano abraçava de vez a música pop ou um tipo de som que tecnicamente se aproximava disso, transformando seu mar de experiências abafadas e ritmos sincopados em um tratado de pura excentricidade radiofônica e até mesmo comercial.
Seguindo pelo exato mesmo rumo de seu segundo e mais recente álbum, Bundick traz agora mais um pequeno exemplar de toda sua sapiência musical. Com o mais do que condizente nome de Freaking Out EP (2011, Carpark Records), o novo registro do produtor vindo da Carolina do Sul mantém as mesmas frequências instrumentais esquizofrênicas de suas obras anteriores, porém, cada vez mais afundado em ressonâncias que parecem feitas para se aproximar do grande público, como se o Toro Y Moi de agora nem fosse o mesmo responsável por há um ano nos hipnotizar com faixas como Talamak e Blessa.
Com uma produção que cada vez o aproxima mais de outros rótulos e ritmos que não os da famigerada Chillwave, em seu atual EP as predisposições eletrônicas parecem lentamente se afastar do centro da obra de Bundick, com um investimento cada vez maior no uso de instrumentos musicais e não no uso emulado de samplers. Na mesma medida os vocais agora ganham outros aspectos, não são mais empregados como se fossem instrumentos ou elementos desenvolvidos para serem aplicados de maneira quebrada e instável. Se antes a voz chegava tomada de delay, como se projetada em ondas, agora o investimento é contrário, em sons cada vez mais límpidos e tomados de contornos bem definidos.
Apenas a calorosa e suingada canção de abertura, All Alone, e seus pouco menos de quatro minutos de duração já evidenciam muito do que será compreendido ao longo do álbum, bem como no que devemos encontrar nos futuros próximos trabalhos de Bundick. Tomada por uma aura que emana de forma nostálgica os sons e tendências dos anos 80, a canção brinca com os ritmos eletrônicos, porém surge como se fosse tocada por uma banda, como se o antes solitário personagem que conduzia todos os anteriores registros do Toro Y Moi já não estivesse mais lá. Radiante a canção monta a deixa para que a autointitulada faixa seguinte possa brilhar na mesma medida, com o jovem produtor mandando um de seus melhores tratados comerciais.
Dividida entre o passado recente de Bundick e suas novas experiências musicais, Sweet talvez seja a faixa que melhor atenda aos interesses daqueles que se aproximaram da obra do norte-americano por meio de seu primeiro álbum. Longe de apresentar os mesmos vocais entusiasmados das faixas anteriores, a pequena composição (a menor do EP) surge como uma espécie de introdução para o que chega na sequência com, com a inusitada, porém coerente versão de Saturday Love, clássico dos anos 90 imortalizada (até então) por Cherrelle e Alexander O’Neal. Seguindo pela mesma condução da faixa original, em sua nova interpretação a música ganha uma carga de efeitos e um ritmo que exalta o eterno verão propagado através das faixas do Toro Y Moi.
Para o fecho do álbum, I Can Get Love surge como um grande pôr do Sol musical, entrelaçando teclados e batidas em clima de despedida, porém antes, concedendo uma espécie de última dança aos ouvintes. Com Freaking Out EP, Chazwick Bundick se firma como o maior representando da Chillwave/Hypnagogic Pop ou qualquer que seja o estilo atrelado ao trabalho do produtor, se apresentando de forma definitiva como um dos artistas mais inventivos da atual safra norte-americana. Para Bundick o verão está apenas começando.
Freaking Out EP ( 2011, Carpark Records)
Nota: 8.0
Para quem gosta de: Washed Out, Neon Indian e Memory Tapes
Ouça: All Alone e Saturday Love


[...] Bundick lançar através do Toro Y Moi o suficientemente agradável Underneath the Pine, com Freaking Out, seu mais novo EP, o produtor norte-americano assume a dianteira como um dos grandes nomes da [...]
[...] Se em Underneath The Pine todas essas constatações já eram bastante óbvias, com a chegada de Freaking Out EP isso se intensificou ainda mais, com o músico apresentando uma pequena sequência de cinco faixas [...]
[...] Quando a Chillwave parecia ter se direcionado para um beco sem saída, sendo obrigada a se resumir em pequenos amontoados de sons sujos e imutáveis, eis que surge o gênio Chazwick Bundick portando em mãos a solução. Longe das ressonâncias etéreas e densas do anterior Causers Of This (de 2010), o norte-americano e seu elogiado projeto, o Toro Y Moi, transformaram o excelente Freaking Out em um amontoado de versos pegajosos e uma estrutura peculiar que se dissolve na mais pura psicodelia pop. Espécie de continuação melhorada do também agradável Underneath The Pine – álbum lançado por Bundick no começo do ano -, o registro explora uma sonoridade muito mais límpida e versátil, projetando assim um mínimo conjunto de faixas grudentas, pop e nunca desnecessárias. Mergulhe nos teclados chapados de All Alone, se entregue ao amor em Saturday Love, e acima de tudo: siga o título do trabalho e enlouqueça. (Resenha) [...]
[...] Não há como observar a produção de Chazwick Bundick no decorrer do ano sem analisar Underneath The Pine e Freak Out EP como um trabalho único. Enquanto o primeiro mantém uma forte conexão com o projeto anterior do músico – Causers of This, de 2010 – ao mesmo tempo em que apresenta todo um mundo de possibilidades em relação ao som do artista, o segundo nos permite desbravar de maneira formidável esse universo imaginário, evidenciando uma nova face do produtor. Lentamente Bundick nos distancia das reverberações flutuantes de outrora para nos posicionar dentro de um contexto acessível, um ambiente em que a psicodelia e versos essencialmente comerciais partilham de uma mesma experiência e são observados dissolvidos de forma concisa e competente. Radiofônico (dentro de seus limites) Toro Y Moi segue revelando canções marcadas pela fluidez pop, algo que New Beat, Go With You e Freaking Out e demais composições acabam revelando, com o músico rompendo com quaisquer prováveis limites da Chillwave. (Resenha/Resenha) [...]
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[...] reviveu a obra do Joy Division no começo do novo século ou mesmo quando nomes como Neon Indian e Toro Y Moi foram encontrar referências no pop colorido da época em 2009, que uma infinidade de outros [...]
[...] se não bastasse a constante produção à frente do Toro Y Moi, Chaz Bundick aproveita das horas vagas para investir em alguns projetos paralelos e colaborações [...]
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[...] – além dos já mencionados grupos é possível encontrar um pouco de DIIV, Tennis e até Toro Y Moi nos pontos menos eletrônicos de Bundick -, o canadense dá um passo além, não firmando uma [...]
[...] Uma espécie de subgênero natural sob o qual podemos enquadrar nomes como Sky Ferreira, Toro Y Moi, Charli XCX, Passion Pit e a mais “recente” deles [...]
[...] viajado três ou mais décadas até chegar aos dias de hoje, conversando tanto com a Chillwave de Toro Y Moi (Felicidade) como o rock indie tupiniquim (Desaguar). Passeando pelos mesmos limites instrumentais [...]
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