Não é mistério para ninguém a relação entre a música e as drogas, afinal, desde os primórdios da gravação em estúdio, ou muito antes disso, o álcool e demais substâncias sempre atuaram com elementos de “incentivo” para um bom número de artistas e compositores. Do Jazz de Miles Davis à discografia dos Beatles, o que não faltam são trabalhos motivados quase que inteiramente pelo mais variado uso de substâncias lícitas e principalmente ilícitas. Para esse novo texto da sessão 5 Discos preparamos meia dezena de trabalhos contemporâneos, onde as drogas, em suas mais variadas formas e resultados deixam traços visíveis de suas sensações e feitos
.
.
jj – nº 2 (2009)
Substância: Maconha
.
O clima esvoaçado, quase dentro de uma nuvem de fumaça acinzentada, tal qual o que é construído no disco de estreia da dupla sueca jj não vem por acaso. Da capa do álbum às sonoridades “relaxadas”, tudo vem do bem aplicado uso de uma instrumentação minimalista e muita, mas muita maconha. É quase possível imaginar Joakim Benon e Elin Kastlander com seus olhos vermelhos, quase cerrados se entregando a uma dança leve e viajada, enquanto acendem um atrás do outro.
A medida que o álbum cresce, aumentam também as sonorizações lisérgicas, com os vocais de Kastlander cada vez mais enrolados, quase sussurros ou gemidos, enquanto as batidas e os teclados ganham um caráter completamente despojado. A letra de Ecstasy, cujo nome já diz tudo, de tão viajada que é torna-se praticamente incompreensível, com a vocalista totalmente entregue a sua experimentação. Não estranhe se ao termino do disco você sentir aquela larica.
.
.
MGMT – Oracular Spetacular (2008)
Substância: Maconha, LSD e Cocaína
.
“Esta é nossa decisão, viver rápido e morrer jovem/ Nós temos a nossa visão, agora vamos nos divertir”, se você pensava que Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser cantavam esse trecho de Time To Pretend com um propósito na causa dos jovens, você se enganou e muito. Todas as letras e sons construídos no álbum de estreia do duo nova-iorquino são baseadas no uso de substâncias químicas cujo único propósito está na diversão. O álbum revela também todo o ideal hedonista do MGMT, que vai se fracionando nas dez canções do álbum.
Dividindo-se entre maconha, longas viagens de ácido e algumas carreiras de cocaína, a dupla nos convida a adentrar um universo quase onírico, onde imagens policromáticas em constante movimento pintam todo esse panorama. Os coros angelicais e esvoaçados, os teclados ondulando frequências e as letras viajadas fazem de Oracular Spetacular um dos álbuns mais chapados de todos os tempos.
.
.
Yeasayer – Odd Blood (2010)
Substância: LSD e Ecstasy
.
Quando o Yeasayer lançou All Hour Cymbals em 2007 as experimentações viajadas da banda já eram mais do que visíveis, entretanto, Odd Blood de 2010 leva essas mesmas viagens ao extremo. O misto de sensações alcançadas dentro do álbum não são apenas fruto da destreza da banda em suas criações, mas ganham o complemento de uma série de aditivos, sendo o LSD e o Ecstasy seus principais representantes.
O segundo trabalho de estúdio do grupo é um verdadeiro registro sinestésico, onde é praticamente possível ver, sentir, cheirar e tocar o som. É como se a música ganhasse formas táteis, quase vivas, o melhor exemplo é Ambling Alp, que se transforma em algo aquoso, rígido e gasoso dentro de uma inconstante frequência de sons e samplers que vão construindo a canção. O álbum segue ainda com outros registros, como I Remember e Strange Reunions, transformando o disco em um verdadeiro achado da música psicodélica.
.
.
Black Lips – Good Bad Not Evil (2007)
Substância: Álcool e Maconha
.
Abra aquela cerveja bem gelada e deixe ela deslizar pela sua garganta, isso enquanto você ouve o viajado Good Bad Not Evil (2007), quarto disco de estúdio da banda norte-americana Black Lips e que chega carregado de substâncias nada naturais em suas canções. As guitarras marcadas pela sujeira típica do garage rock carregam consigo todo o peso, ou os litros de cervejas consumidas no desenvolvimento do álbum, uma verdadeira ode à diversão e a tosqueira.
Conforme o álbum vai se desenvolvendo um leve “cansaço” vai se abatendo sobre as composições, prova da simples existência de um agregado verde durante as gravações. Qualquer um que já tenha presenciado a um show do grupo de Atlanta sabe que entre beijos, cusparadas e músicas a banda também se diverte com os mesmos elementos extra que dão consistência a esse trabalho.
.
.
Queens Of The Stone Age – Rated R (2000)
Substância: Nicotina, Valium, Vicodin, Maconha, Ecstasy, Álcool e Cocaína
.
Não é preciso escrever muito para defender a posição de Rated R (2000) dentro desta lista, afinal, um disco que logo em sua faixa de abertura manda uma série de nomes de drogas – possivelmente as que dão vida ao disco – em sua letra faz com que sua presença seja mais do que compreensível. O próprio título do disco já define sua posição, já que a avaliação “R” (do inglês “restricted”) só é dada nos Estados Unidos a trabalhos com conteúdos voltados apenas aos adultos, normalmente por seu contexto nada correto.
O álbum – que em suas letras fala sobre dirigir embriagado, sexo, abuso de substâncias químicas, entre outros temas – teve parte de suas músicas censuradas em alguns estados norte-americanos, totalmente por conta dos “excessos” pregados em suas canções. Cuidado: o uso excessivo desse disco pode causar overdose ou te enviar diretamente para a reabilitação.






hei tu viu uma matéria q saiu na NME faz coisa de um mês com um tema mto parecido com este?
Na verdade tava revendo uma edição antiga da Bizz que falava mais sobre as músicas, mas vou procurar essa
[...] também: Cinco Disco Para Ouvir Chapado Share this:TwitterGostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso [...]
[...] membros do Yeasayer nunca esconderam o interesse pelo uso de substâncias ilícitas, tanto que grande parte das composições montadas pelo grupo [...]
Cadê Tame Impala?
Faltou tame impala!
Cadê Tame Impala? 2
Também achei que faltou Tame Impala. XD