Pequenos Clássicos Modernos

Cérebro Eletrônico
Brazilian/Experimental/Psychedelic
http://www.myspace.com/cerebroeletronico

 

Por: Cleber Facchi

Embora todos os elementos – experimentações sonoras, psicodelia, tropicalismo e música brasileira dos anos 70 – já estivessem traçados no primeiro disco do Cérebro Eletrônico, Onda Híbrida Ressonante de 2003, seria com o lançamento de Pareço Moderno em 2008, que toda a gama de informações, estilos, formas e mesmo a criatividade de seus integrantes alcançaria seu auge. O álbum não apenas sintetiza toda a curta trajetória do grupo, como os apresenta de forma inspirada ao grande público, que até então desconhecia a fina sonoridade dos paulistanos.

Em um ano em que Mallu Magalhães fazia sua tão esperada estreia, Macaco Bong dava todo o peso do seu rock instrumental e ainda Guizado assumia a ponta do experimentalismo com o lançamento do disco Punx, a banda encabeçada por Tatá Aeroplano e Fernando Maranho favorecia através da mistura funcional de múltiplos ingredientes da música (sejam eles vindos da brasileira ou internacional) um tipo de som suavemente viajado e que ia se completando através das pequenas texturas presentes em cada uma das faixas.

O rock e a MPB dos anos 70 se encontram com elementos futurísticos, resultando em 12 composições que passeiam pelo tecnológico, mas sempre de maneira orgânica e quase bucólica. Os bips eletrônicos da faixa homônima, por exemplo, vão se assentando em uma cama de guitarras minuciosas e em determinados momentos quase imperceptíveis. Os ares do campo e toques de música hippie se encontram com a cidade, tendo nos vocais de Aeroplano uma espécie de anunciador dessa sonoridade híbrida.

A cada nova canção somos acariciados não apenas pela sonoridade excepcional do grupo, numa espécie de neo-psicodelia minimalista, mas pelas letras irônicas, românticas, políticas (?) e futurísticas das canções. Entre os mais belos achados do disco está a ótima . A poesia simplíssima da faixa se converte em um dos momentos mais sinceros e belos da musica brasileira dos anos 2000. O jogo de palavras bem amarradas compreende também Bem Mais Bin que Bush e principalmente Dominó Tecnológico.

Durante todo o disco despontam homenagens sinceras à música brasileira de outras décadas, principalmente ao eterno maldito Sérgio Sampaio, que é citado tanto na faixa de abertura, como ganha uma canção com seu nome no encerramento do álbum. A Tropicália chega de forma dissecada, fragmentada em inúmeros pedaços e encaixados de forma a soar moderna, contemporânea, sem em nenhum momento os discos pioneiros na temática.

Pareço Moderno fica completo com a presença de gente como Andre Abujamra, Tulipa Ruiz e Júpiter Maçã, que entrega ao grupo a inédita Talentoso. O disco acabou como uma das coqueluches de 2008, abrindo espaço para que a banda figurasse em uma série de festivais voltados a música alternativa, além de ser louvado nas principais publicações musicais do país. Embora o Cérebro Eletrônico existisse desde os primórdios do novo século era ali que o grupo de fato tinha inicio.

 

Pareço Moderno (2008)

 

Nota: 9.0
Para quem gosta de: Jumbo Elektro, Tulipa Ruiz e Garotas Suecas
Ouça: Pareço Moderno

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Um comentário sobre “Pequenos Clássicos Modernos

  1. [...] de maneira futurística. Seguindo pelo mesmo caminho iniciado em seu trabalho anterior, Pareço Moderno de 2008, a banda joga com os sons e as letras de maneira despojada, inventiva e [...]

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