Canção que dá título ao novo álbum da banda norte-americana The Walkmen, Heaven acaba de se transformar em um novo e inédito clipe. Montado em cima de imagens de arquivo, fotos e vídeos da banda, o trabalho dirigido por Alex Southam se relaciona diretamente com a sonoridade e os versos nostálgicos que preenchem a canção – de longe uma das melhores e mais cativantes músicas do ano. Com uma edição inteligente, o clipe passeia por toda a carreira do grupo norte-americano, mesclando imagens recentes com recortes dos primeiros anos da banda.
Com uma sonoridade cadenciada, batidas envolventes e uma das letras mais safadinhas do ano, She Said Ok marca a parceria entre Big Boi (OutKast) e o queridinho da cena norte-americana Theophilus London. Suave, não se sabe ainda se a canção fará parte do novo álbum do veterano – Vicious Lies and Dangerous Rumors – que ao que tudo indica deve ser lançado ainda no segundo semestre. Segundo trabalho solo de Big Boi, o registro vem para suceder o poderoso Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty, um dos melhores discos de hip-hop de 2010.
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Big Boi & Theophilus London (feat. TRE LUCE) – She Said OK
Romain Gavras é sem dúvidas um dos maiores diretores de clipes da atualidade. Depois de apresentar ao lado da rapper M.I.A. o excelente vídeo da faixa Bad Girls – o melhor vídeo de 2012 segundo a Stereogum -, agora ele retorna para assumir a direção de No Church In The Wild, trabalho que surge como uma espécie de retrato das manifestações que ocuparam boa parte do mundo no último ano. Com imagens sempre marcadas pela crueza – uma das marcas do diretor -, Garvras cria o cenário perfeito para a letra assinada por Kanye West, Jay-Z e Frank Ocean, música que abre o poderoso Watch The Throne, parceria em estúdio entre os dois primeiros.
Mesmo que o fim das atividades do Planet Hemp há mais de uma década sepultasse de vez um dos maiores e mais influentes coletivos de hip-hop que a cena tupiniquim gerou, a sequência de registros solos vindos dos dissidentes do grupo carioca acabaram por suprir essa lacuna. Se Marcelo D2 brincou com o rap e o samba de maneira comercial, resultando em um dos maiores discos da década passada – A Procura da Batida Perfeita, 2003 -, BNegão e Black Alien trataram de experimentar. Enquanto o primeiro aprimorou a conexão com o dub, hardcore, jazz e rock, o segundo tratou de mergulhar no reggae, trazendo com essa mistura dois dos mais influentes registros do rap nacional, respectivamente Enxugando Gelo (2003) e Babylon By Gus Volume 1 – O Ano do Macaco (2005).
Com um potencial talvez imperceptível na época do lançamento, ambos os álbuns reverberam ainda hoje em uma sequência de trabalhos, registros que talvez de forma involuntária acabam trazendo um pouco da herança e dos ensinamentos sonoros e líricos testados pela dupla no começo da década passada. Exemplo recente dessa forma não convencional de explorar e misturar o rap está no álbum de estreia da banda da cidade de Ilhéus, Bahia Oquadro, que além de passear pelas mesmas influências que caracterizaram a estreia solo de BNegão e Black Alien, mergulham em um novo e ainda inexplorado universo de musicalidades brasileiras, estrangeiras e universais. Tendências que se modificam infinitamente nas mãos do septeto.
Autointitulado, o disco concentra uma mistura que navega de forma tranquila e delicada pelo reggae, se apega aos elementos da cultura africana, vai de encontro a suavidade do dub até descer nas vias do jazz, samba, rock e diversas outras “facções” da música.”Escuta a Música das Músicas/ Não enrusta a sua essência/ Não vista a carapuça, que cobre que cega, que expulsa/ boas intenções vem de nossos corações”, canta o grupo durante a execução da faixa Música das Músicas, canção que não apenas incorpora boa parte dos elementos distintos e experiências que definem o álbum, como acaba funcionando como uma espécie de manifesto, um denso texto que caracteriza boa parte do que se movimenta com o passar das faixas.
Vindos da mesma Bahia que trouxe Gil e Caetano, o grupo parece assumir uma posição isolada dentro do atual cenário que se manifesta por lá. Totalmente distantes de qualquer aproximação com o Axé Music ou de quaisquer outras fórmulas carnavalescas que delimitem a sonoridade da região, a banda parece criar um espaço musical próprio, adepto de experimentações e referências incompatíveis com qualquer sonoridade ou ritmo que pareça naturalmente relacionada ao panorama local. Da suingue esbanjado na faixa Balançuquadro, passando pelo toque marcante de Planeta Diário até os ritmos africanos mesclados com o funk em O Soco, tudo se locomove dentro de uma fórmula própria, ao seu próprio tempo e de forma sempre detalhada.
Por vezes, a conexão instrumental com as influências emanadas em continente africano faz com que o coletivo se aproxime do que fora testado pelos paulistanos do Bixiga 70 no último ano. Em Sapoca Uma de Cem, uma das duas canções inteiramente instrumentais do álbum, esse caráter não apenas se torna evidente como parece estabelecer uma rica conexão entre as duas bandas. É como se a ausência de versos que percorre o registro de estreia do grupo paulistano fosse aqui ocupada por uma pluralidade de letras marcadas pelo conteúdo político, críticas sociais, versos ácidos e peculiares retratos do cotidano. Uma somatória de textos que vez ou outra encontram os vocais de Lurdez da Luz (Seja Bem Vindo ao Meu Lar) ou ainda os teclados essenciais de Guilherme Arantes (Planeta Diário).
Feito duas âncoras no oceano turbulento de referências que definem o disco, Buguinha Dub e Gustavo Lenza surgem como figuras necessárias para impedir que o álbum se perca em excessos e possíveis exageros. Enquanto o primeiro assume a produção e mixagem da obra (derramando suas predisposições relacionadas ao dub), o segundo se ocupa da masterização do trabalho, tornando límpidas cada uma das faixas do álbum. A presença da dupla, garante ainda que a o coletivo passe longe de apenas soar como uma influenciada trupe de artistas, deixando de lado as referências e influências prévias para gerar novidade e, por fim, material suficiente para inspirar as futuras gerações.
OQuadro (2012, Independente)
Nota: 8.4
Para quem gosta de: BNegão e os Seltores de Frequências,
Ouça: Evolui (Bem Aventurados) e Planeta Diário
Depois de muita espera, 1991 o primeiro EP da norte-americana Azealia Banks pode finalmente ser ouvido. Enquanto prepara o lançamento da mixtape Fantastic – que deve sair no segundo semestre – o pequeno registro de quatro faixas dá pistas claras do que viremos a encontrar em breve, algo que a nova-iorquina justifica com versos sempre rápidos, sujos e irônicos. A sonoridade permanece calcada na música eletrônica dissecada de forma menos dançante e mais cadenciada, algo que a própria faixa título do EP expõe de forma assertiva. Oficialmente o trabalho será lançado no dia 12 de junho, tanto em vinil como CD. Enquanto o disco não chega, a versão digital dá mais do que conta de entusiasmar quem estava ansioso por qualquer novidade da cantora.
Retomando a parceria iniciada no segundo álbum – Noah`s Ark de 2005 – a dupla CocoRosie volta a se encontrar com o cantor e compositor Antony Hegarty (Antony and The Johnsons) para juntos incorporar todas as melancolias e anseios que preenchem Tearz For Animals. A exemplo do anterior single do duo, We Are On Fire, as aproximações com a música eletrônica se intensificam, com a dupla e o convidado passeando pelo mesmo trip-hop que preenchia os primeiros álbuns do Goldfrapp ou ainda os mais delicados momentos da carreira de Björk, prova de que os futuros lançamentos das irmãs Sierra e Bianca Casady deve seguir por essa linha.
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CocoRosie – Tearz For Animals (Ft. Antony Hegarty)
Em maio de 2005 veio ao mundo The Woods, sétimo álbum de estúdio da banda estadunidense Sleater-Kinney. Talvez impossível de ser previsto na época, mas o disco seria o último grande registro da cena riot norte-americana, feito que o grupo de garotas justificaria com guitarras sempre agressivas, vocais firmes e todo um bem explorado catálogo de versos que transformariam o álbum em um dos maiores e mais importantes lançamentos da década passada. Logo no ano seguinte, passada a turnêde divulgação do registro, o grupo seria dissolvido, levando consigo todo o peso e a intensidade que ainda fervilhava relacionada ao “gênero musical”.
Se de lá para cá poucos registros conseguiram alcançar ou se aproximar da mesma intensidade da obra proposta pelo grupo de Olympia, Washington, pelo menos a herança e a influência da banda ainda se mantém ativa em uma infinidade de registros recentes. Talvez melhor exemplar disso esteja relacionado ao trabalho do trio de New Brunswick, New Jersey Screaming Females, banda que parece ter aproveitado da brecha criada em 2006 com o desmantelamento do Sleater-Kinney para elevar toda uma nova soma de ruídos e gritos femininos como assumem diretamente no título do projeto.
Donos de uma bem sucedida e cada vez mais elaborada discografia – iniciada em 2006 com o disco Baby Teeth -, Marissa Paternoster (vocal e guitarra), Jarrett Dougherty (bateria) e King Mike (baixo) transformam o recente Ugly (2012, Don Giovanni) no melhor e mais bem explorado registro da banda até o momento. Mais do que herdar as mesmas referências tratadas pelo Sleater-Kinney, o grupo se aprofunda no uso das guitarras, batidas tomadas pela intensidade e vozes mezzo desesperadas, mezzo melódicas, uma mistura que preenche os primeiros discos do Yeah Yeah Yeahs e The Kills, mas que parece muito melhor explorada nas mãos da tríade norte-americana.
Contra toda provável sutileza que qualquer vocal feminino possa manifestar, em Ugly o toque explosivo e a sonoridade ruidosa se manifesta logo nos instantes iniciais da obra. Como se evitasse toda e qualquer delicadeza – além de possíveis comparações com o trabalho de Karen O -, Paternoster se posiciona de forma ríspida e nunca acolhedora, criando uma personagem (ou retrato próprio) que dialoga de maneira coerente com as guitarras cruas e sonorizações agressivas que lentamente se edificam no passar do álbum. Agressiva e brincando com os vocais, a cantora usa desse artifício para pressionar o ouvinte, que em poucos minutos acaba cedendo aos “encantos” da vocalista.
Ora centrada no punk nova-iorquino do final dos anos 70, ora entregue aos ensinamentos personalizados do rock alternativo da década de 1990, a banda mantém como única e imutável característica as guitarras sempre sujas e impregnadas por densas doses de distorção. Da aceleração necessária que preenche faixas como Rotten Aple, passando pelo peso de Extinction – uma espécie de encontro entre L7, Dinosaur Jr e Pixies -, o registro mantém do princípio ao fim uma crueza necessária, elemento que se amplia de maneira significativa a cada nova canção, que vez ou outra esbarra em uma sonoridade mais dançante (Red Hand) ou ainda mais esmagadora (Expire).
Em Ugly, diferente dos discos anteriores, mais do que um complemento essencial e uma ferramenta que movimenta todo o trabalho, as guitarras sujas e as linhas de baixo marcantes servem para amarrar cada uma das 14 composições. Produzido de forma competente pela própria banda, o álbum mantém constante o caráter de proximidade entre as faixas, o que acaba por transformar o registro em um projeto sempre intenso e naturalmente dinâmico. Mais do que um clássico imediato se fosse lançado há duas décadas, com o quinto disco o Screaming Females faz nascer um registro necessário para a presente cena, um trabalho que merece e deve ser apreciado inúmeras vezes.
Ugly (2012, Don Giovanni)
Nota: 8.0
Para quem gosta de: Sleater-Kinney, Wild Flag e The Man
Ouça: Expire, Rotten Apple e Extinction
Quem gostou da linha romântica assumida pela banda Móveis Coloniais de Acaju no registro C_mpl_te, de 2009, provavelmente ficará satisfeito com o mais novo single do grupo brasiliense. Com o nome de Vejo em Teu Olhar, a canção arrasta a banda para junto da mesma sonoridade proposta em faixas como O Tempo e Sem Palavras. Além da fluência melódica, a canção conta com mais um inventivo clipe do grupo, que a exemplo do trabalho anterior – no vídeo a da música O Tempo – traz a proposta de colaboração com o público do coletivo, que neste caso participa de intervenções por diversos pontos de ônibus de Brasília.
No começo de maio apresentamos aqui no Miojo Indie a faixa Creeping, primeiro single do registro de estreia da banda britânica 2:54. Flutuando entre o rock alternativo da década de 1990 e o garage rock atual, a canção deixava claras todas características do projeto encabeçado pelas irmãs Hanna e Colette Thurlow. Agora, a poderosa composição acaba de ser transformada em clipe. Com direção de Frode & Marcus, o vídeo de quase cinco minutos conta com um toque sombrio, reflexo do que se anuncia nos versos da canção. A música faz parte do primeiro disco da banda, que deve sair no dia 18 de junho.
Incorporando elementos do indie rock com doses de R&B a banda norte-americana Poliça fez do primeiro disco – Give You the Ghost – um dos registros mais interessantes do ano lançados até agora. Levemente intimista e ainda assim dançante, o registro evoca toda a força de um grupo que deve crescer muito nos próximos anos. Dentre as melhores composições que preenchem o álbum está Wandering Star, faixa que conta com as guitarras de Michael Noyce (Bon Iver) e que acaba de ser transformada em clipe. Com muita tinta e dança contemporânea, o vídeo conta com coreografias de Yemi AD.
Alive Through the Music
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Data Clipe
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Dia a Disco
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El Toron
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Fita Bruta
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Floga-se
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Hominis Canidae
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La Cumbuca
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Move That Jukebox
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Música Pavê
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OHMYROCK
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Palavra Prostituta
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Pick Up The Headphones
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RockInPress
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Vinyyyl
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You! Me! Dancing
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