Disco: “Yeezus”, Kanye West

Kanye West
Hip-Hop/Rap/Electronic
http://kanyewest.com/

Por: Cleber Facchi

Kanye West

Kanye West é deus em um paraíso que ele próprio construiu. Com mais de 15 anos de carreira e um catálogo mínimo perante a maioria dos rappers – cinco registros em estúdio e dois projetos em colaboração -, o artista trouxe nos próprios exageros e imensas egotrips a base para algumas das obras mais importantes do Rap atual. São as orquestrações de The College Dropout (2004) e Late Registration (2005), o pop eletrônico de Graduation (2007) e a dor exposta em 808s & Heartbreak (2008) até alcançar o misto de delírio e invenção que toma conta de My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010). Uma carreira que rompe naturalmente com os limites do Hip-Hop, forçando West a crescer e morrer para ressuscitar em Yeezus (2013, Def Jam), sexto registro solo e, de forma bastante nítida, um recomeço para o artista e o público.

Irônico (ou seria insano?), o artista desfila pelo novo álbum em uma medida raivosa e que praticamente força o ouvinte a se desprender do que foi revelado anteriormente. Ainda que a valorização das batidas sintéticas e a forma como os samples são explorados reforcem a relação imposta em Graduation, a cada passo dado pelo disco West mostra que os rumos e propostas são outras, imprevisíveis. Por vezes circundado pela massa de ruídos impostos pelo Brostep, dançando pela música Industrial e reforçando aspectos raros, porém típicos da Dancehall, o rapper encontra nas batidas de moldes experimentais o percurso para um registro que lentamente se afasta dele próprio para observar o todo. West pode até ser deus, mas vive em um domínio longe de qualquer cenário paradisíaco e de pleno caos.

Pressionado pela própria relação com o Occupy Wall Street ou talvez pelo peso da paternidade, West se distancia bruscamente da própria imagem para descrever o cenário obscuro que o rodeia – uma imagem distorcida, presente e em plena decadência social. Não se trata mais do universo íntimo ou dos exageros egocêntricos do artista, mas algo que vai além do que foi trabalhado liricamente nos discos passados. Mesmo que faixas à exemplo de I Am A God (que ironicamente conta com a participação de Deus) destoem do propósito central do disco, músicas como New Slaves, Blood On The Leaves e Black Skinhead trazem de volta o registro ao eixo coletivo. É como se o rapper assumisse a mesma curva imposta em No Church in the Wild, parceria com Frank Ocean e Jay-Z no álbum Watch The Throne (2011), porém, dentro de uma estufa musical que se relaciona com os próprios exageros musicais que há tempos o acompanham.

Curioso observar que mesmo de esforço conceitual e temática coletiva, Yeezus talvez seja a obra mais “solitária” de West. São apenas quatro colaborações – Chief Keef, Justin Vernon, Kid Cudi, King L – e um time fechado de produtores – incluem Hudson Mohawke, Daft Punk e RZA -, desempenho raro, ainda mais se observarmos o bloco de artistas que passeavam livremente por MBDTF. Com apenas 40 minutos de duração, o álbum traz no propósito intenso o principal combustível para o trabalho, disco que raramente se deixa respirar. Do momento em que tem início On Sight, passando pela aceleração de Black Skinhead até o bloco final de canções – bem delimitadas por Guilt Trip e Send It Up -, tudo é exposto de forma imediata, urgente, como se apenas a imagem de West e uma bateria eletrônica fosse visível durante todo o invento do registro. Continuar lendo

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Arctic Monkeys: “Do I Wanna Know?”

Arctic Monkeys

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O peso pós-Humbug (2009) e a ruptura com a essência prévia do Arctic Monkeys é constante na obra recente do quarteto britânico. Acertando o passo torto de Suck It and See (2011), a banda apresenta agora Do I Wanna Know?, mais novo single do grupo e primeiro exemplar do ainda inédito quinto álbum da carreira de Alex Turner e seus parceiros. Recheada de grooves densos, falsetos encaixados de forma pontual e guitarras que reforçam ainda mais a relação com Josh Homme e a presente fase do Queen of The Stone Age, a canção cresce de forma inteligente em um misto de conforto e rompimento, como se a banda estivesse a ponto de explodir, mas regressa a todo o instante. Deliciosamente moldada e esbanjando um toque nítido de provocação, a música é mais do que um aperitivo para o álbum que está por vir, mas uma certeza da evolução do grupo inglês.

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Arctic Monkeys – Do I Wanna Know?

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Julianna Barwick: “One Half”

Nepenthe

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Se durante a construção de The Magic Place (2011) Julianna Barwick parecia inclinada a transitar um terreno marcado pelo etéreo e a solução bucólica dos sons, com a aproximação de Nepenthe (2013), novo álbum solo previsto para o dia 20 de Agosto, este propósito se altera com nítida manifestação. Depois de apresentar a climática Forever em idos do mês de Maio, a cantora norte-americana faz da recém-lançada One Half sua composição mais distinta e ainda assim encantadora já apresentada. Morada para uma poesia curta, porém, orquestrada de acordo com os vocais leves da artista, a faixa cresce como se Kate Bush fosse diluída em um composto etéreo, noturno e hipnótico, uma evolução natural e por vezes soturna do que foi alcançado há dois anos.

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Julianna Barwick – One Half

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Local Natives: “You & Me”

Local Natives

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Local natives

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Um pouco esquecido depois do lançamento incessante de registros grandiosos que ocuparam a primeira metade de 2013, Hummingbird, segundo álbum de estúdio do Local Natives continua como uma das obras mais atrativas do ano. Pontuado por composições marcadas pela beleza dos arranjos e vozes, o trabalho encontra em You & I um dos melhores exemplares de toda a curta trajetória da banda. Dolorosa, sombria e tomada pela presença dos vocais, a faixa não se distancia do mesmo propósito no clipe assinado por Daniel Portrait, que transporta o espectador para um mundo onde os cachorros estão quase extintos. Centrado no drama de uma família que se despede do amigo de longa data, o vídeo segue surpreendente (e fofo) até a última cena.

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Local Natives – You & Me

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Cabana Café: “Panari”

Panari

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Como anunciado durante a divulgação do vídeo de Vermelha Anã, Panari (2013), registro de estreia da banda Cabana Café já pode ser ouvido e baixado na íntegra. Lançado pelo selo Balaclava Records, o trabalho foi construído ao longo de todo o segundo semestre de 2012, brincando com algumas das referências previamente já estabelecidas pela banda. São 11 composições que contam com a produção assinada por Guilherme Ribeiro e a própria banda, grupo que já acumula alguns anos de estradas e composições singelas. Para baixar o trabalho, que é gratuito, basta acessar o site da banda e “pagar” com um post no Facebook. Para se convencer do trabalho do grupo, assista aos vídeos abaixo para as faixas Vermelha Anã e Dos.

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Cabana café – Vermelha Anã

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Cabana Café – Dos

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Disco: “Domínio das Águas e dos Céus EP”, Mahmed

Mahmed
Brazilian/Instrumental/Post-Rock
http://mahmed.bandcamp.com/

Por: Allan Assis

Mahmed

Notas soltas e espaçadas por riffs de guitarra em plena mutação formam o livre som da “quase-banda” Mahmed. Do título que não se preocupa em definir, às músicas sem ensaios ou caminhos fáceis, os potiguares surgem em meio a diversos lançamentos instrumentais vindos do mesmo estado e de quebra se sagram como um dos mais interessantes da safra. Lavando as mãos no que diz respeito à criação de uma sonoridade característica e imutável, a palavra de ordem no primeiro EP Domínio das Águas e dos Céus (2013, Independente) é, sim, o experimento.

Formado por Dimitrius Ferreira (guitarra e violão), Leandro Menezes (baixo e trompete) e Walter Nazário (guitarra, violão e synths), o integrantes vêm de histórias em bandas que utilizavam letras nas canções documentadas, embora sempre estivessem mais envolvidos com a musicalização das faixas em si. A ausência de letras é, então, pura questão momentânea, a banda potiguar não descarta possibilidades como as vocalizações e um discurso formulado com a ajuda de palavras no futuro. A calma que se esparsa entre os deliciosos momentos do EP, causa certa estranheza quando voltamos os ouvidos para os projetos anteriores dos natalenses, que tem carimbado nos currículo participações em bandas de punk rock. Mostra-se também reflexo natural da ausência de um baterista fixo, no entanto, durante as gravações assumiu as baquetas Ian Medeiros (Kung Fu Johnny).

As origens transparecem na abertura/título Domínio das águas e dos céus iniciada por um riff fechado e um tanto quanto nervoso. Parede removida, o céu dos natalenses se abre em swing de guitarras e um trompete que mostra pé nos últimos trabalhos da Nação Zumbi. Apesar das perspectivas abertas e amplo espaço criativo, a música não corre solta, desordeira nas pílulas melódicas do Mahmed. A faixa introdutória imprime ordem, com o retorno do riff tema que vez por outra retorna ao centro da canção, deixando claro que há espaço para opiniões, mas não indecisão no trabalho de estreia.

Agrupamentos de sintetizadores, acordes fáceis de agradar no violão e os espaços de silêncio que parecem calculados para levantar sensações e fazer o relaxamento bater formam São Migas. Faixa para largar as preocupações longe, esquecendo engarrafamentos e barulhos externos para aos poucos vê-los sumirem em meio a cantos de pássaros; prova por si como as palavras não fazem falta quando substituídas pela imaginação do ouvinte, que inspirado pela melodia vai logo preenchendo as lacunas com imagens de ondas, céu e dunas. A segunda, das três canções de estreia é daquelas que se metamorfoseia em várias, transparecendo aos poucos uma segunda parte recheada por sintetizadores, traz psicodelia em pequenas doses. Fechando o trabalho Outros valores além do frenesi, desmente a viagem da faixa anterior e em riff temático produz um pop romântico com direito à “uh uh uhs” ao final. Continuar lendo

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Siba: “Preparando o Salto”

Karina Buhr

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Siba

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Transformador, Avante (2012), último registro solo de Siba trouxe o ex-integrante do grupo Mestre Ambrósio brincando livremente com a guitarra, instrumento que há duas décadas o acompanha de forma criativa. Catálogo inventivo para Riffs, ruídos e distorções amplas, o álbum é a morada de Preparando O Salto, uma das composições que abastecem o registro e a faixa escolhida para se transformar no mais novo clipe do cantor. Com fotografia sutil e direção de Renan Costa Lima, o vídeo transporta Siba e a companheira Karina Buhr para o meio de um cenário desértico, lidando com as pequenas doses de cores e efeitos de edição em uma medida muito próxima do que Glauber Rocha conquistou em filmes como Cabeças Cortadas (1970) e A Idade da Terra (1980). Avante ficou em 11º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2012.

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Siba – Preparando o Salto

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The Postal Service: “A Tattered Line Of String”

The Postal Service

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Para celebrar os 10 anos de lançamento do pequeno clássico moderno Give Up (2003), estreia do The Postal Service, Ben Gibbard e Jimmy Tomborello não se contentaram em lançar apenas uma edição comemorativa do álbum, mas também um pequeno compilado de faixas inéditas. Além de Turn Around, o destaque fica por conta de A Tattered Line Of String, música que recupera a porção mais encantadora da obra, bem como a presença vocal de Jenny Lewis (Rilo Kiley), colaboradora do duo na construção do álbum. Agora a faixa encontra em um divertido vídeo uma continuação. Transformando o mundo em uma imensa lavadora de roupas, o personagem central precisa manter o equilíbrio enquanto o universo ao redor começa a rodar.

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The Postal Service – A Tattered Line Of String

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Fuck Buttons: “The Red Wing”

Fuck Buttons

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Fuck Buttons

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Quase trilha sonora para um comercial de perfumes ou carros importados, The Red Wing é uma canção que praticamente faz borbulhar imagens em nossas mentes enquanto se desenvolve. Pontuada por guitarras, doses subjetivas de groove e os já tradicionais ruídos que acompanham a obra do Fuck Buttons, a recente composição antecipa o cenário que vamos encontrar no dia 22 de Julho, quando Slow Focus, terceiro registro em estúdio do duo inglês for finalmente apresentado. Sem fugir do propósito provocativo da música, o diretor Andrew Hung usa da manifestação exagerada de cores, efeitos em simetria e uma mulher com pouca roupa a base para o clipe que abastece a canção. Pouco mais de três minutos de um corpo em pleno movimento, curvas e volumes que em paralelo a atenção parecem hipnotizar o ouvinte. Sexy e provocante.

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Fuck Buttons – The Red Wing

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Blouse: “No Shelter”

Blouse

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A sutileza nos arranjos é parte fundamental no trabalho da banda norte-americana Blouse. Projeto sustentado em cima de experiências voltadas ao Dream Pop, Lo-Fi e pequenas experimentações caseiras, o grupo anuncia para Setembro a chegada de Imperium, segundo registro da carreira e uma continuação natural do resultado proposto em 2011 com o autointitulado primeiro disco. Quem espera por uma possível extensão das massas etéreas de sons que banham o trabalho da banda encontrará em No Shelter, primeiro single do novo disco, uma completa reformulação no trabalho do grupo. De esforço ascendente, a música cresce em um misto cuidadoso de vozes brandas e guitarras sujas, uma massa leve de sons que bem poderiam se relacionar com tudo o que foi deixado no começo da década de 1990.

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Blouse – No Shelter

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